quarta-feira, 27 de outubro de 2010
PSDB e Corrupção
sábado, 16 de outubro de 2010
Reprodução do artigo de Maria Rita Kehl no Estado de São Paulo.
02 de outubro de 2010 | 0h 00
Maria Rita Kehl - O Estado de S.Paulo
Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.
Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Minha fé
O absurdo em forma de fé.
Nas entrelinhas da fé.
O blogueiro Noblat postou um texto dizendo que os padres e pastores do ES decidiram apoiar o Serra no segundo turno das eleições (antes eles haviam apoiado a Marina) e que ainda iriam, e já o fazem, “pregar” contra a candidatura da Dilma em suas igrejas.
O pastor Enock de Castro, presidente da Associação do Pastores Evangélicos da Grande Vitória disse o seguinte: "Entre 80% e 90% dos evangélicos tendem a votar em José Serra. O risco é grande de vermos alguns princípios religiosos serem afetados. Há uma posição da Dilma em defesa do aborto, da união civil entre pessoas do mesmo sexo e proibição de proferir religião em órgãos públicos, que são coisas que não podemos aceitar".
Já Osmar de Moura, presidente da Convenção das Assembléias de Deus afirmou que "Quando aceitamos um membro avaliamos sua conduta. Alguém para presidir uma família tão grande como a brasileira tem que ter uma raiz, que é a família. Na campanha, José Serra se apresentou junto com a família. É assim que tem que ser e vamos orientar os fiéis nesse sentido".
É notório que a influência religiosa sempre foi motora de momentos sociais. Sejam negativos ou positivos. Porém afirmar que vai escolher A ou B e ainda dizer que irão “orientar os fiéis” creio que passa um pouco dos limites.
Faria parte da ação de “orientar os fiéis” levantar discussões a cerca de diversos assuntos, dentre eles os mencionados pelos pastores, porém, em nenhum momento tomando partido a priori de que um candidato é melhor que o outro nesses aspectos. Isso quem deve fazer é o fiel. Ou ele não é capaz disso?
Nesse caso, quando uma instituição religiosa apela ao ataque formal à um candidato, citando explicitamente o caso colocado, ela se coloca na posição de ignorante, pois aceita factóides gerados na internet como verdades absolutas, deixando de lado assuntos de relevância superior para o desenvolvimento do país.
Isso aconteceu no caso da reeleição do senador Magno Malta. O slogan “todos contra a pedofilia” nada mais se torna do que um imã para o voto dos fiéis que, obviamente, são contra a pedofilia. É usar o sofrimento de crianças em benefício próprio, visto que eu não conheço ninguém que apóia a pedofilia. É saber que a massa religiosa vai votar em peso por conta desse slogan.
Tal qual ocorre agora com a proliferação da notícia de que a candidata petista é contra o aborto e que o filho do vice é satanista. Para além do fato de isso ser factóides, pois ambos desmentiram na televisão, por que o aborto tem que deixar de ser um tema a discutir, visto que há vários segmentos da sociedade que é a favor? Por que não discutir a união homossexual? Ou seja, esses pastores e padres preferem a volta do dogmatismo. Não se discute o que eu não concordo. Francamente...
Mas o mais engraçado é ver os reaças de direita bajulando os religiosos. Exatamente os mesmos que metiam pau nas igrejas faraônicas e seus pastores hoje os chamam de companheiros na "luta contra o mau vermelho".
Vinícius