quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Nas entrelinhas da fé.

O blogueiro Noblat postou um texto dizendo que os padres e pastores do ES decidiram apoiar o Serra no segundo turno das eleições (antes eles haviam apoiado a Marina) e que ainda iriam, e já o fazem, “pregar” contra a candidatura da Dilma em suas igrejas.

O pastor Enock de Castro, presidente da Associação do Pastores Evangélicos da Grande Vitória disse o seguinte: "Entre 80% e 90% dos evangélicos tendem a votar em José Serra. O risco é grande de vermos alguns princípios religiosos serem afetados. Há uma posição da Dilma em defesa do aborto, da união civil entre pessoas do mesmo sexo e proibição de proferir religião em órgãos públicos, que são coisas que não podemos aceitar".

Já Osmar de Moura, presidente da Convenção das Assembléias de Deus afirmou que "Quando aceitamos um membro avaliamos sua conduta. Alguém para presidir uma família tão grande como a brasileira tem que ter uma raiz, que é a família. Na campanha, José Serra se apresentou junto com a família. É assim que tem que ser e vamos orientar os fiéis nesse sentido".

É notório que a influência religiosa sempre foi motora de momentos sociais. Sejam negativos ou positivos. Porém afirmar que vai escolher A ou B e ainda dizer que irão “orientar os fiéis” creio que passa um pouco dos limites.

Faria parte da ação de “orientar os fiéis” levantar discussões a cerca de diversos assuntos, dentre eles os mencionados pelos pastores, porém, em nenhum momento tomando partido a priori de que um candidato é melhor que o outro nesses aspectos. Isso quem deve fazer é o fiel. Ou ele não é capaz disso?

Nesse caso, quando uma instituição religiosa apela ao ataque formal à um candidato, citando explicitamente o caso colocado, ela se coloca na posição de ignorante, pois aceita factóides gerados na internet como verdades absolutas, deixando de lado assuntos de relevância superior para o desenvolvimento do país.

Isso aconteceu no caso da reeleição do senador Magno Malta. O slogan “todos contra a pedofilia” nada mais se torna do que um imã para o voto dos fiéis que, obviamente, são contra a pedofilia. É usar o sofrimento de crianças em benefício próprio, visto que eu não conheço ninguém que apóia a pedofilia. É saber que a massa religiosa vai votar em peso por conta desse slogan.

Tal qual ocorre agora com a proliferação da notícia de que a candidata petista é contra o aborto e que o filho do vice é satanista. Para além do fato de isso ser factóides, pois ambos desmentiram na televisão, por que o aborto tem que deixar de ser um tema a discutir, visto que há vários segmentos da sociedade que é a favor? Por que não discutir a união homossexual? Ou seja, esses pastores e padres preferem a volta do dogmatismo. Não se discute o que eu não concordo. Francamente...

Mas o mais engraçado é ver os reaças de direita bajulando os religiosos. Exatamente os mesmos que metiam pau nas igrejas faraônicas e seus pastores hoje os chamam de companheiros na "luta contra o mau vermelho".

Vinícius

3 comentários:

  1. Ha sim. O candidato Magno Malta foi apoiado pelo PT. Portanto não cabe a "briguinha" partidária no assunto desse post.

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  2. Muito bom o texto, infelizmente o povo gado é influenciado até pela tv imagina pelos padres e pastores. Os candidatos sabendo como eles são apenas fazem essas jogadas sabendo que assim serão eleitos. E o circo eleitoral ta feito.

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  3. A partir do momento em que uma pessoa decide fazer parte de alguma comunidade religiosa ela é orientada em todos aspectos da sociedade, visando a permanência da ideologia da mesma.
    A denominação defende suas ideias em um partido ou candidato que mais se aproxima de seus dogmas. Mas cabe ao eleitor-cristão decidir o que mais se aproxima da sua realidade e pesquisar cada candidato apresentado por seus líderes religiosos, tendo em vista que ser membro de igreja não garante "santidade" nem honestidade.
    Mas essa questão de defender interesses não cabe somente ás igrejas, nosso próprio atual-ex Presidente da República Luiz Inácio da Silva vem manipulando a classe mais humilde dando a imagem de sequencia de governo na Dilma Rousseff, de permanência dos projetos sociais como o Bolsa Escola (permanência das esmolas melhor dizendo) mas que garante o leite da semana.
    Do outro lado temos um canditado a Presidência que visa mais benefícios empresariais... Sinceramente o único jeito é apelar para Deus mesmo, pois na minha opinião vamos trocar seis por meia dúzia, e não tem pastor/padre nenhum que mude essa realidade.

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